Vacinação contra herpes-zóster é fundamental para prevenir a doença na terceira idade

Além de pessoas com mais de 50 anos, a vacinação contra o herpes-zóster pode ser indicada para adultos mais jovens com imunidade comprometida.

Entre 2007 e 2023, 1.567 mortes foram associadas à doença, a maioria em pessoas com mais de 50 anos

JORNAL DA USP

A herpes-zóster, conhecida popularmente como cobreiro, é causada pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Os sintomas incluem bolhas na pele, vermelhidão, ardência e dores nos nervos. Pesquisas têm mostrado a importância da vacinação para prevenir a doença, principalmente entre pessoas idosas. Atualmente, a vacina ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), apenas em clínicas privadas e redes de farmácias.

A médica Ana Cristina de Medeiros Ribeiro, do Ambulatório de Artrite Reumatoide e pesquisadora da Divisão de Reumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica que o vírus permanece retido nos gânglios do sistema nervoso e que, com o avanço da idade e a redução da imunidade, a proteção contra ele pode diminuir. A doença pode acometer tanto o sistema nervoso quanto a pele.

O nome cobreiro está relacionado ao aspecto das bolhas e feridas na pele, que aparecem em forma de linha ou faixa curvada, seguindo o caminho de um nervo e lembrando o rastro de uma cobra.

Como identificar a herpes-zóster

De acordo com a médica, os sintomas começam com uma dor inexplicável em alguma região do corpo. “A maioria dos casos é no tronco, no que a gente chama de região dorsal. Então, pode ser na lateral do tórax, nas costas, na parte anterior do tórax ou do abdome, que são os locais mais comuns, mas também no pescoço e mesmo na face e na região do períneo.”

Muitas vezes, a pessoa procura um pronto-socorro e os especialistas não conseguem identificar imediatamente o que está acontecendo. “Quando surgem as vesículas na pele, o diagnóstico é suspeitado porque uma dor forte, de difícil explicação, com o aparecimento das vesículas sugere que realmente foi aquele vírus que esteve ali no nervo, gerou a dor e migrou para a pele. Quando começa a se replicar na pele, aparecem as vesículas. E podem ser muitas vesículas, dependendo do estado imunológico do paciente.”

Ana Cristina explica que a presença de muitas vesículas pode aumentar o risco de infecção, principalmente na região do períneo, onde pode provocar uma infecção anal, e no rosto, devido à proximidade com os olhos, podendo levar até à cegueira.

O tratamento deve ser iniciado em até 72 horas após o aparecimento das vesículas, que são pequenas bolhas com líquido transparente. O início rápido do tratamento é importante para diminuir o risco de complicações, como a neuralgia pós-herpética, uma dor que persiste devido ao acometimento do nervo mesmo depois que a infecção desaparece.

A dor provocada pela herpes-zóster costuma aparecer em apenas um lado do corpo porque o vírus, que permanece adormecido nos gânglios nervosos próximos à coluna, pode ser reativado e seguir o trajeto de um determinado nervo. Por isso, a dor geralmente fica concentrada em uma faixa de um dos lados do corpo.

A importância da vacina 

Ana Cristina de Medeiros
Ribeiro – Foto: Currículo lattes

De acordo com a médica, o sistema imunológico também envelhece. “A gente perde um pouco a imunidade celular, que é essa imunidade muito importante para conter o vírus nos gânglios e não desencadear o herpes-zóster.”

O envelhecimento inflamatório do organismo está associado a doenças como diabetes e doenças cardiovasculares, que podem aumentar ainda mais o risco de herpes-zóster.

A partir dos 50 anos, os cuidados com a saúde devem ser redobrados. “De 20% a 30% das pessoas acima de 50 anos vão ter herpes-zóster e, até 85 anos, quase 50% das pessoas vão ter se não fizerem a prevenção.”

A vacina utiliza partículas virais para estimular o sistema imunológico a reforçar a proteção contra o vírus. Por não conter o vírus vivo, pode ser utilizada inclusive por pessoas imunossuprimidas, conforme indicação médica.

Para adultos a partir dos 50 anos, o esquema é composto por duas doses, geralmente com intervalo de dois a seis meses. A vacinação também é indicada para pessoas a partir dos 18 anos que apresentam condições ou fazem tratamentos que podem comprometer a imunidade.

Mesmo quem já teve herpes-zóster deve ser vacinado, pois a doença pode voltar. Nesses casos, a recomendação é aguardar pelo menos seis meses após o episódio antes de receber a vacina.

Os principais fatores de risco são idade avançada, queda da imunidade e histórico prévio de herpes-zóster. Além desses fatores, o risco da doença é maior entre mulheres e pessoas brancas.

A vacina contra a herpes-zóster é indicada a partir dos 18 anos para pessoas com condições que podem comprometer a imunidade, como pacientes que passarão por quimioterapia, pessoas com doenças autoimunes em tratamento imunossupressor e pessoas que vivem com HIV.

Já houve tentativas de incorporar o imunizante à rede pública, mas o custo é o principal entrave para a inclusão no calendário de vacinação. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) já reconheceu a importância da tecnologia, mas barrou a incorporação em razão do custo.

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