“Jurei pra minha mãe no caixão que não ia ficar assim não.”

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Francisco das Chagas Mendes, conhecido como “Charuto”, havia sido condenado a 14 anos de prisão pela morte da própria esposa, Jozélia Lustosa de Carvalho Mendes, crime ocorrido por volta de 2005, em Piripiri, no Piauí.
A morte de Jozélia deixou uma ferida aberta dentro da própria família. Um dos filhos do casal, Jeferson de Carvalho Mendes, conhecido como “Neném Charuto”, não escondia a revolta contra o pai.
Ainda diante do caixão da mãe, Jeferson teria feito uma promessa:
“Jurei pra minha mãe no caixão que não ia ficar assim não.”
E não ficou apenas nisso. Antes mesmo do crime que aconteceria anos depois, pai e filho chegaram a falar publicamente sobre a possibilidade de um m4t@r o outro.
Em uma entrevista, Francisco foi avisado de que o filho tinha intenção de m4t@-lo quando ele deixasse a prisão — não importava se isso acontecesse naquele momento ou vinte anos depois.
Francisco respondeu que acreditava que o filho seria capaz de fazer isso, mas também deixou um recado. Disse que era “bom de dedo”, numa referência à habilidade com 4rm@, e afirmou que, se Jeferson tentasse m4t@-lo, ele também m4t@ria o filho.
Quando soube da declaração do pai, Jeferson respondeu de maneira ainda mais surpreendente. Disse que tinha gostado da atitude e lembrou que foi o próprio Francisco quem o ensinou a atirar.
“Ele se lembre que nesse mesmo sítio aqui ele me ensinava a atirar também. E vamos ver quem leva a melhor nesse combate.”
Jeferson ainda disse que carregava um grande desgosto pela morte da mãe e que teria outro caso Francisco morresse dentro da prisão antes que ele pudesse colocar as mãos no pai.
Os anos passaram.
Francisco continuou cumprindo a condenação e, em 2013, já estava em regime aberto, podendo circular fora do presídio. E foi justamente nesse período que a antiga ameaça voltou à tona.
Na noite de 14 de outubro de 2013, Francisco estava na Praça Nelson Carneiro, em Piripiri, onde aconteciam os festejos de Nossa Senhora dos Remédios.
Em meio à movimentação, ele foi surpreendido e m0rt0 a tiros. Outras duas pessoas que estavam nas proximidades também foram atingidas, mas sobreviveram.
O principal suspeito apontado pela investigação era justamente Jeferson, o próprio filho da vítima.
De acordo com a acusação, Jeferson teria se aproximado do pai pelas costas, o empurrado e efetuado vários d1sp@ros depois que Francisco caiu. A companheira que estava com Francisco teria presenciado o ataque.
A investigação apontou como uma das possíveis motivações a vingança pela m0rt£ da mãe. O processo também menciona desavenças envolvendo o espólio deixado por Jozélia.
Dias depois do crime, Jeferson se apresentou à polícia acompanhado de um advogado. Como o período de flagrante já havia passado, ele não ficou preso naquele momento. A Justiça posteriormente decretou sua prisão preventiva.
Jeferson só seria localizado e preso em setembro de 2016, quase três anos depois. Na época, também havia acusações contra ele relacionadas a outros crimes.
Assim, aproximadamente oito anos depois de perder a mãe e anos depois daquela entrevista em que pai e filho falavam abertamente sobre um possível confronto, Francisco acabou m0rt0 po próprio filho.

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