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A Bolívia, que foi um dos principais produtores e exportadores de gás natural da região, anunciou que passará a importar o combustível devido à redução das reservas e à queda nas exportações. O governo do presidente Rodrigo Paz publicou um decreto que permite a pessoas físicas e empresas importar gás natural e gás natural liquefeito para consumo próprio e geração de energia, em uma medida destinada a evitar desabastecimento.
A outrora poderosa indústria de gás natural da Bolívia encolheu tão drasticamente que o país está prestes a começar a importar o combustível, após décadas como um dos principais produtores e exportadores da região. Mesmo com subsídio: Diesel sobe até 8% desde setembro; com alta do ICMS em 2027, pode ficar mais caro Petrobras: Empresa bate recorde de produção de diesel em meio à alta defasagem de preços O governo do presidente Rodrigo Paz publicou, nesta semana, um decreto que permite a pessoas físicas e empresas importar gás natural e gás natural liquefeito para consumo próprio e geração de energia, em uma medida destinada a evitar desabastecimento. O líder socialista Evo Morales nacionalizou, há duas décadas, campos de gás e refinarias operados pela Repsol, pela TotalEnergies e pela Petrobras. Na época, os preços internacionais do petróleo e do gás estavam disparando, e o boom do gás natural entre 2005 e 2014 ajudou a financiar generosos programas sociais. No entanto, os investimentos em exploração não acompanharam o ritmo necessário, levando à redução das reservas e a uma queda de mais da metade das exportações em relação ao pico registrado em 2014.
Entrevista: ‘Ninguém previu o petróleo neste patamar’, diz presidente da Petrobras Embora o combustível importado ainda não possa ser vendido a terceiros, a decisão representa uma ruptura significativa com o sistema anterior, no qual as importações eram, em grande parte, restritas à estatal YPFB. Assim como ocorre com outros combustíveis, o gás natural é fortemente subsidiado na Bolívia, e os preços internacionais são quase dez vezes superiores aos praticados no mercado interno, afirmou Tatiana Genuzio, vice-ministra da Industrialização de Hidrocarbonetos, à emissora privada Unitel na quarta-feira. O governo de Paz está comprometido em acabar com os subsídios e alinhar os preços da energia aos níveis de mercado para reduzir o déficit fiscal e estabilizar a economia. Segundo o governo, as mudanças serão implementadas juntamente com transferências de renda e outros benefícios destinados aos setores mais vulneráveis da população. Na bomba: Abastecimento de diesel está ‘apertado’ para novembro, diz presidente da associação de importadores A Bolívia começou a exportar gás natural para o Brasil na década de 1990, depois que o então presidente Jaime Paz Zamora, pai do atual presidente, assinou o primeiro contrato com o país em 1993. Em 2006, a Bolívia firmou um contrato de exportação de gás com a Argentina, que chegou ao fim em 2024, em meio à queda da produção nacional. O governo prevê que, até 2029, a produção de gás ficará abaixo da demanda interna, afirmou Genuzio. As autoridades estão avaliando várias alternativas para amenizar o impacto econômico, incluindo a liberalização do mercado, a expansão das energias renováveis e a promoção de um projeto de lei favorável aos investidores no setor de hidrocarbonetos, que deverá ser apresentado ao Congresso no próximo mês.
