Imagem: Estadão
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatou ter negociado com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto pagamentos em trocas de acesso aos cofres dos fundos de pensão de servidores federais.
Mensagens e documentos obtidos pela revista Veja mostram que o empresário teria pago R$ 30 milhões, em espécie, ao Instituto Lula, gerenciado por Paulo Okamotto.
Os recursos seriam destinados ao financiamento de uma produção de um documentário sobre Lula no exterior. Segundo a reportagem, Vorcaro detalhou o esquema em um anexo que foi levado à PGR (Procuradoria-Geral da República). A PGR, entretanto, alegou falta de provas e não avançou no caso.
Integrantes da Polícia Federal informaram à CNN que o órgão recusou a delação de Vorcaro por ausência de elementos mínimos que dessem credibilidade ao que ele disse. Eles ressaltaram que a PGR chegou à mesma avaliação.
A defesa de Vorcaro teria argumentado ter mensagens, registros das pessoas que retiraram o dinheiro vivo e a relação de lugares usados por operadores nas entregas do dinheiro.
De acordo com a revista, a aproximação de Vorcaro com o PT foi articulada pelo então CEO do Master, Augusto Lima. O então líder do governo Lula no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), teria intermediado o primeiro encontro com Vaccari.
As informações, ainda segundo a reportagem, constam em um anexo levado à PGR em junho, quando a segunda proposta de delação de Vorcaro foi descartada.
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“O meu então sócio, Augusto Lima, através dos caciques do PT da Bahia, se reuniu com João Vaccari Neto. Nesse primeiro encontro ficou aventado que, para que houvessem votos suficientes para o nosso credenciamento junto aos fundos de pensão do Banco do Brasil, Caixa Asset e Previ, deveríamos fazer os seguintes adiantamentos: um pagamento por fora, ou seja, por espécie, na ordem de aproximadamente R$ 30 milhões de reais para cobrir despesas de um documentário no exterior que estava sendo gravado sobre o Lula, e pagamento de valores ao Instituto Lula”, disse o banqueiro.
O filme a que ele se refere é o documentário Lula, de Oliver Stone, que contou com depoimentos de amigos e aliados do presidente, como o advogado Walfrido Warde.
Vaccari também teria exigido uma taxa de 10% de tudo o que o banco captasse junto aos fundos de previdência de servidores da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios. A conta estimada era de R$ 1 bilhão para o PT e R$ 9 bilhões para o Master.
Em um áudio sobre a negociação, Vorcaro teria dito: “Banco do Brasil a gente estruturou isso com ele [Vaccari]. É… O Augusto adianta ali para o Okamotto do Instituto Lula… E aí tem o negócio do filme também. O cara [Vaccari] pede para colocar dinheiro no filme do Lula”. Até o momento, não está claro de quando é a gravação.
Ele também teria comentado sobre o patrocínio ao filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro, produção que também recebeu recursos do Master: “O filme do Lula eu coloquei acho que até mais [que o filme de Bolsonaro]. Eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, foi errado. O do Flávio não foi, porque foi patrocínio, foi patrocínio normal”.
As negociações também teriam envolvido o então ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Alexandre Padilha, o então secretário-executivo da pasta, Olavo Noleto, e outros dois operadores ligados a eles.
Conforme a reportagem, o contato de Vorcaro com presidentes dos fundos de pensão se dá com um operador petista identificado como “Júlio”, que teria acesso ao gabinete de Padilha no Planalto.
Com informações: CNN

