Zema chama Moraes de “projetinho de ditador” e defende impeachment

Romeu Zema. (Foto: Dirceu Aurélio/Imprensa MG).

Declaração do candidato à Presidência pelo Novo veio horas depois da revelação de que o ministro do STF editou um contrato de R$ 131 milhões

Davi Pereira – Diário do Poder

O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, voltou nesta terça-feira (1º) a defender o impeachment do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Em publicação nas redes sociais, ele foi além e pediu também a prisão do magistrado, a quem chamou de “projetinho de ditador”.

A fala ocorreu horas depois de o jornal O Estado de S. Paulo revelar que os metadados de um contrato de R$131 milhões, enviado por WhatsApp ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mostram que o documento foi editado por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O acordo havia sido firmado entre Vorcaro e a banca de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.

Na publicação, Zema retomou o pedido de impeachment que já havia protocolado contra Moraes quando ainda era governador de Minas e disse que a destituição não seria suficiente. “Ele merece é cadeia”, escreveu, cobrando a devolução do valor do contrato. Segundo o candidato, a Polícia Federal comprovou que a edição do arquivo ocorreu às 23h04, no mesmo sistema usado pelo ministro para despachar processos — e afirmou ainda que Moraes teria pedido proteção para Vorcaro.

Histórico de críticas

Essa não é a primeira vez que Zema mira ministros do STF. Durante a pré-campanha, ele divulgou uma série de vídeos com críticas a figuras do Judiciário, incluindo uma montagem com fantoches de Gilmar Mendes e Dias Toffoli discutindo o escândalo do Banco Master.

Em resposta, Gilmar Mendes pediu a Moraes, em abril, que Zema passasse a ser investigado no inquérito das fake news . À época, Zema classificou a medida como antidemocrática e disse ter recebido a notícia com surpresa e decepção.

Outro lado

Em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que seu setor de compliance “solicitou informações” ao ministro sobre eventual impedimento legal para o contrato, dado que ele é marido da sócia diretora da banca. Segundo a nota, a verificação não identificou nenhum obstáculo, já que Moraes nunca julgou causas envolvendo o Banco Master — motivo pelo qual o contrato foi assinado e os serviços prestados normalmente.

Mendonça mapeia votos contra Moraes

O ministro André Mendonça, relator do Caso Master no STF, avalia levar ao presidente da Corte, Edson Fachin, um pedido formal de investigação contra Moraes — motivado por indícios de que o colega teria pedido proteção a Vorcaro junto ao procurador-geral Paulo Gonet e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Por se tratar de um ministro do Supremo, apenas o plenário da Corte pode autorizar a abertura de um inquérito desse porte. Aliados de Mendonça já mapeiam os votos: a expectativa é que Moraes tenha o apoio de Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes, enquanto Mendonça contaria com Fachin, Nunes Marques e Luiz Fux. Cármen Lúcia é vista como voto indefinido, com tendência a apoiar a abertura da investigação. Toffoli, suspeito de envolvimento com Vorcaro, poderia ser impedido de votar — mas, se participar, é considerado favorável à apuração contra Moraes.

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