Roberta Luchsinger em Paris: ela projetava faturar R$100 milhões no governo do PT em um ano – Foto: redes sociais.
Roberta projetava faturar R$100 milhões em um ano em negócios com o filho de Lula
Roberta Moreira Luchsinger, apontada pela Polícia Federal (PF) como peça-chave em investigações de suspeitas de tráfico de influência e intermediação de interesses privados junto ao governo federal, especialmente no terceiro mandato de Lula (PT). Ela é amiga próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e figura central em inquéritos que apuram uma suposta “sociedade informal” com ele e o Fernando Bittar, velho amigo e sócio de Lulinha.
Nascida em Miraí (MG), por volta de 1985 (cerca de 41 anos em 2026), Roberta seria neta de Peter Paul Arnold Luchsinger, ex-acionista do Credit Suisse. Formada em Direito, vive entre São Paulo (bairro de Higienópolis) e Brasília. Foi casada com o ex-delegado da PF e ex-deputado federal Protógenes Queiroz (de quem se separou por volta de 2014) e tem filhas.
Politicamente, é apoiadora declarada de Lula. Em 2017, no auge da Lava Jato, prometeu doar R$500 mil (em dinheiro e objetos de luxo) ao então ex-presidente após o bloqueio de bens determinado por Sérgio Moro. Candidatou-se a deputada estadual por São Paulo pelo PT em 2018 (obteve cerca de 14 mil votos e ficou como suplente). Depois se filiou ao PSB. Em redes sociais, publica conteúdos de apoio a Lula, críticas a Bolsonaro e aliados, e imagens de viagens e luxo. Ironicamente, usa a hashtag #ComLulaPelaJustiçaPeloBrasil.
Em 2019, após a tentativa política, abriu a RL Consultoria e Intermediações Ltda. (capital social de cerca de R$100 mil), registrada para “intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral”. Também tem vínculos com outras empresas familiares (Distribuidora Luchsinger e Elephant II Produções). A consultoria é o veículo principal de sua atuação.
A PF e reportagens descrevem seu modus operandi como o de abrir portas no governo: marcar reuniões com agentes públicos, “costura política via Palácio”, indicar nomes para cargos e intermediar contratos. Em mensagens, ela afirmou frases como “somos governo, tem que pedir tudo e fazer” e “eu trabalho a política via palácio”. Jactava-se de ter influenciado nomeações (ex.: no Porto de Santos) e projetava ganhos de até R$ 100 milhões só em 2024 com facilitação de negócios.
Registros mostram dezenas de visitas a órgãos públicos desde 2023 (muitas fora de agenda oficial): Ministério do Desenvolvimento Social (MDS — pelo menos 17 visitas), Ministério da Saúde, Dataprev, Câmara dos Deputados (gabinetes de Alexandre Padilha e lideranças), BNDES e outros. Empresas por ela representadas obtiveram contratos milionários.
A amizade com Lulinha e a esposa dele (Renata) é antiga e íntima: eles frequentavam a mesma mansão no Lago Sul (Brasília), viajavam juntos, e ela cuidava de aspectos das finanças dele (“você que cuida das minhas finanças”, segundo mensagens). Em diálogos, Roberta chegou a dizer “eu sou o Fábio” e “Fefe, Fábio e eu somos uma coisa só”. A PF conclui que havia uma associação informal e coordenada entre ela, Lulinha e Fernando Bittar para interlocução de interesses privados perante a administração pública. Lulinha teria participado de reuniões, orientado emissão de notas fiscais e sido citado como destinatário de pagamentos e benefícios.
Ela recebeu ao menos R$4 milhões de empresários com interesses no governo (valores totais ainda sob apuração). A PF abriu inquéritos específicos envolvendo a dupla no Ministério da Saúde, Dataprev e outras áreas, sob relatoria de ministros do STF (André Mendonça e Flávio Dino).
Principais casos investigados:
Antônio Carlos Camilo Antunes (“Careca do INSS”): Recebeu R$ 1,5 milhão (cinco parcelas de R$ 300 mil) por serviços relacionados à regulação de cannabis medicinal e outros. Apresentou Lulinha ao Careca. Suspeitas de que parte dos valores seria para o “filho do rapaz” (possível referência a Lulinha). Alvo da Operação Sem Desconto (fraudes no INSS); indiciada no relatório da CPMI do INSS por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, falsidade ideológica e tráfico de influência. Foi alvo de busca e apreensão em dezembro de 2025 e usou tornozeleira eletrônica.
Outros: Pagamentos de contas e presentes a Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula — cerca de R$ 217 mil, tratados pela defesa como empréstimo); envolvimento em prospecção de negócios de cannabis, cibersegurança e consignados; possíveis indícios de lavagem via joias e viagens (enquanto acumulava dívidas de centenas de milhares de reais).
Posição da defesa e status atual
A defesa de Roberta nega irregularidades, afirma que os serviços eram de consultoria legítima, que não repassou valores a Lulinha, que apresentou o Careca em contexto social e que não tinha conhecimento de irregularidades prévias. Lulinha e ela negam tráfico de influência ou recebimento indevido. As investigações seguem em andamento no STF e na PF, com quebras de sigilo de mensagens e relatórios apontando indícios concretos de participação.
Em resumo, o papel atribuído a Roberta Luchsinger pela PF é o de intermediária estratégica e operadora de influência, usando proximidade política e amizade com Lulinha para facilitar negócios privados com o setor público, em troca de remuneração elevada. As apurações ainda estão em curso.

