Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Os dois parlamentares acusaram o então relator da CPMI do INSS; agora, não comentam os relatos de uma possível armação contra ele
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O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que fizeram as acusações iniciais contra Alfredo Gaspar, hoje vice na chapa de Flávio Bolsonaro, não se manifestaram publicamente sobre o boletim de ocorrência que aponta para uma suposta trama para fabricar uma acusação de estupro de vulnerável contra o parlamentar.
O Antagonista procurou as assessorias dos dois parlamentares e não obteve retorno. Nas redes sociais também não houve nenhuma atualização sobre o tema até o fechamento desta reportagem.
Em 27 de março, último dia de funcionamento da CPMI do INSS, Lindbergh e Soraya realizaram uma coletiva de imprensa para acusar Gaspar de estupro de vulnerável e de tentativa de ocultação dos fatos. A denúncia foi posteriormente encaminhada à Polícia Federal.
Na sessão que marcou a apresentação do relatório final da comissão, Lindbergh chegou a chamar Gaspar de “estuprador”. O episódio ocorreu em meio ao confronto entre os dois parlamentares durante os trabalhos da CPMI.
Quatro dias depois, em 31 de março, Lindbergh voltou a falar sobre o caso em uma coletiva de imprensa e reafirmou as acusações contra Gaspar. O deputado também contestou a versão apresentada pelo então relator da CPMI e defendeu a continuidade das apurações.
Soraya também sustentou publicamente a acusação. Em 29 de março, a senadora afirmou que pediria desculpas públicas a Gaspar caso um exame de DNA não confirmasse a denúncia. No dia seguinte, disse torcer para que a acusação fosse falsa e defendeu a realização do exame para esclarecer o caso.
Agora, diante dos novos elementos apresentados à Polícia Legislativa, os dois não se pronunciaram sobre o episódio.
O boletim de ocorrência reúne o depoimento de Luiz Antonio Lopes, que afirmou ter tomado conhecimento de uma suposta armação envolvendo uma jovem que seria apresentada com uma identidade falsa e receberia dinheiro para sustentar uma narrativa de abuso sexual contra Gaspar.
Segundo Lopes, a jovem, identificada como Marcela Maria Mendes, teria sido orientada a se apresentar como “Jailma”, uma mulher de origem nordestina que teria sido abusada por um político quando adolescente e engravidado em decorrência do suposto crime.
Lopes também relatou ter utilizado sua própria conta bancária para receber valores que seriam destinados a Marcela. Segundo o depoimento, foram três pagamentos supostamente relacionados ao caso: de 10 mil reais, 4 mil reais e 2,5 mil reais. Dois deles, de 10 mil reais e 2,5 mil reais, teriam sido comprovados.
As declarações fazem parte de uma investigação ainda em andamento na Polícia Legislativa. O conteúdo do depoimento, portanto, não representa uma conclusão sobre a existência da suposta trama nem sobre eventual participação de parlamentares.
O caso também tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.

