Ex-pedreiro interrompeu os estudos para ajudar a família, voltou à escola aos 24 anos pela EJA, tornou-se agente penitenciário, financiou Direito pelo Fies e chegou à magistratura aos 39 anos, dizendo que usaria o primeiro salário de juiz para quitar 22 parcelas atrasadas

Escrito por clickpetroleoegas.com.br/…/alisson-slam-cpg

Trajetória de Eliezer Nunes Barros reúne trabalho braçal, retorno tardio à escola, concurso público, financiamento estudantil e aprovação na magistratura. O percurso entre a construção civil e o Tribunal de Justiça de Rondônia revela etapas pouco conhecidas, marcadas por estudo, dívida e mudança profissional.

Antes de assumir uma cadeira no Tribunal de Justiça de Rondônia, Eliezer Nunes Barros trabalhou como pedreiro, interrompeu a formação escolar para contribuir com a renda da família e permaneceu anos distante da sala de aula, até retomar os estudos aos 24 anos.

A volta à escola abriu uma sequência de mudanças profissionais e acadêmicas que o levaria do trabalho braçal ao serviço público, da graduação em Direito financiada pelo Fies à aprovação na magistratura, alcançada aos 39 anos após anos de preparação.

Segundo reportagem do Jornal Correio da Semana, Eliezer vivia na área rural e havia deixado os estudos porque precisava trabalhar e ajudar os familiares, circunstância que adiou sua formação sem encerrar definitivamente o projeto de voltar à sala de aula.

Retorno pela EJA abriu caminho para o serviço público

Quando decidiu recomeçar, a Educação de Jovens e Adultos permitiu recuperar a escolarização interrompida sem seguir o mesmo calendário de quem permanecera no ensino regular, transformando a conclusão do ensino médio na primeira passagem concreta entre a rotina de trabalho e novas possibilidades profissionais.

Dois anos depois desse retorno, já aos 26, Eliezer foi aprovado em um concurso para agente penitenciário em Rondônia, ingresso ocorrido em 2009 que ampliou sua experiência no serviço público e mostrou caminhos até então distantes de quem havia trabalhado na construção civil.

A mudança de ocupação não encerrou o percurso educacional, porque o contato com colegas e as novas perspectivas profissionais reforçaram a decisão de continuar estudando, mesmo sem que a magistratura aparecesse, naquele momento, como um objetivo claramente definido.

Faculdade de Direito financiada pelo Fies ampliou os planos

Ex-pedreiro retomou os estudos pela EJA, cursou Direito com Fies e virou juiz em Rondônia aos 39 anos, após ser agente penitenciário.
Ex-pedreiro retomou os estudos pela EJA, cursou Direito com Fies e virou juiz em Rondônia aos 39 anos, após ser agente penitenciário.

Com o ensino médio concluído e uma carreira pública iniciada, a graduação em Direito surgiu como um desafio maior, sobretudo para alguém que passara parte da juventude fora da escola e ainda precisava conciliar as responsabilidades do trabalho com a rotina acadêmica.

Para tornar o curso possível, Eliezer recorreu ao Fundo de Financiamento Estudantil, programa que permite financiar mensalidades de instituições privadas e transferir parte do custo da formação para pagamentos posteriores, conforme as condições previstas no contrato firmado pelo estudante.

Na prática, a entrada na faculdade alterou novamente sua rotina, pois o então agente penitenciário precisava cumprir as exigências profissionais e, ao mesmo tempo, manter o avanço acadêmico iniciado somente após a retomada da educação formal na vida adulta.

Concluir Direito representou uma grande superação, mas o diploma não foi tratado como ponto final, já que, a partir dos 33 anos, Eliezer estabeleceu o objetivo de se tornar juiz em Rondônia e passou a direcionar sua preparação para o concurso da magistratura.

Da construção civil ao concurso para juiz

Essa mudança de ambição ajuda a dimensionar as etapas vencidas ao longo do percurso: primeiro veio a conclusão do ensino médio, depois a aprovação para agente penitenciário, em seguida a faculdade financiada pelo Fies e, somente então, a tentativa de ingressar na magistratura estadual.

A aprovação levou Eliezer ao Tribunal de Justiça de Rondônia aos 39 anos, quando integrou um grupo de 29 juízes substitutos empossados pela instituição, entre profissionais com diferentes origens sociais, trajetórias educacionais e experiências anteriores dentro e fora do serviço público.

Durante a cerimônia, a história do ex-pedreiro ganhou destaque por reunir interrupção escolar, retorno pela EJA, concurso público, formação superior financiada e ascensão ao Judiciário, sequência que conectou diretamente as dificuldades da juventude à nova função de magistrado.

Primeiro salário de juiz seria usado para pagar o Fies

O detalhe financeiro apresentado por Eliezer aproximou a conquista da realidade vivida antes da posse, porque, mesmo assumindo um cargo jurídico de destaque, ele ainda carregava 22 parcelas atrasadas do Fies, vinculadas ao financiamento que permitira sua graduação em Direito.

Ao comentar o primeiro salário na magistratura, afirmou que utilizaria o dinheiro para pagar essas prestações, revelando uma situação pouco associada à imagem de quem acaba de chegar ao Judiciário: o novo juiz ainda precisava resolver o custo acumulado da própria formação universitária.

As parcelas atrasadas também mostravam que a aprovação no concurso não havia apagado imediatamente os compromissos financeiros do caminho, já que o Fies possibilitara o acesso ao curso, mas continuava presente em sua vida quando a carreira de magistrado começava.

Anos de estudo transformaram a trajetória profissional

Entre o retorno pela EJA e a posse no tribunal, transcorreram anos de formação e mudanças profissionais, período em que o trabalho como agente penitenciário aproximou Eliezer da estrutura estatal e o curso de Direito forneceu a qualificação necessária para avançar no sistema de Justiça.

A experiência anterior na construção civil permaneceu como parte central da trajetória apresentada na posse, não apenas por representar uma troca de profissão, mas porque marcou o ponto de partida de um percurso retomado pela educação de adultos e sustentado por estudo, concurso e financiamento.

Aos 24 anos, Eliezer ainda precisava concluir o ensino médio; aos 26, já ocupava um cargo público como agente penitenciário; aos 33, decidiu tentar a magistratura; e, seis anos depois, assumiu como juiz substituto em Rondônia.

Essa sequência reúne elementos que costumam aparecer separadamente em histórias profissionais: trabalho precoce, interrupção escolar, retorno pela EJA, concurso público, graduação financiada e aprovação para um cargo jurídico, todos conectados na trajetória iniciada como pedreiro e continuada dentro do Judiciário.

Ao entrar na magistratura, Eliezer ainda mantinha uma pendência diretamente ligada à faculdade, e a promessa de destinar o primeiro salário às 22 parcelas atrasadas conectou o começo da nova carreira ao financiamento usado quando o diploma ainda parecia distante.

Qual etapa dessa trajetória mais chama sua atenção: o retorno à escola aos 24 anos, a mudança do trabalho de pedreiro para o serviço público ou a decisão de buscar a magistratura enquanto ainda pagava a própria graduação?

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