Sem velas, rezas ou o clima fúnebre tradicional, a “despedida” de Thiago Martins teve roda de samba, bandas de rock, chope e discursos
Com a morte de um ente querido, familiares e amigos costumam se reunir em velórios para compartilhar lembranças e dar o último adeus a quem se foi. Marcado por lágrimas e despedidas, as cerimônias têm algo em comum: a ausência da pessoa que está sendo homenageada. Mas e se ela pudesse participar de sua última cerimônia? Ou até celebrar sua despedida ainda em vida? Foi a partir dessas reflexões que Thiago Pitthan, de 49 anos, decidiu organizar o próprio “velório em vida”.
Sem velas, rezas ou o clima fúnebre tradicional, a “despedida”, feita em um galpão na cidade de Campo Grande (MS), teve roda de samba, bandas de rock, chope, comida e discursos emocionados.
O objetivo era simples: em vez de ser homenageado em sua ausência, Thiago fez questão de ser o anfitrião de sua própria celebração.
O advogado foi diagnosticado com câncer de estômago terminal e sem possibilidade cura, há pouco mais de um ano. Desde então, ele vem se submetendo a um tratamento paliativo com o objetivo de melhorar sua qualidade de vida.
“Ela [a ideia] surgiu por conta do meu pai. Ele morreu em agosto do ano passado e o velório dele foi bonito: bandeira do Botafogo, foto sorrindo, Caetano Veloso na caixa de som, amigos contando histórias. Eu saí de lá pensando: ‘Quanta gente boa, quanto carinho, quanta história. Pena que o homenageado não pôde ver’”, relatou.


O velório em vida
Quando chegou a data da tão “sonhada despedida”, Thiago reforçou o convite para que todos participassem e deixou um recado aos seus seguidores: “Bora celebrar a vida”, disse o advogado com uma expressão de felicidade em seu story no Instagram.
Em vídeos compartilhados nas redes sociais, o advogado aparece discursando, arrancando gargalhadas dos convidados e até dançando.
“Essa festa aqui é sobre vida, alegria, felicidade. Eu tenho muita sorte e isso o câncer não tira de mim”, disse o anfitrião.
Ao longo da celebração, Thiago também fez uma reflexão sobre sua luta contra a doença.
“Eu tenho muitos amigos, afeto e carinho. E quando eu morrer, porque isso vai acontecer em algum momento, eu quero que vocês entendam que eu venci o câncer. Eu venço ele todos os dias quando eu acordo decidido que hoje vai ser um dia bom. Os dias que não são bom, eu durmo e falo: ‘Mas amanhã vai ser [um dia bom]’”, destacou.
No fim, o velório de Thiago não foi sobre a morte, mas sim um encontro de gratidão, onde o protagonista pôde ouvir, ainda em vida, o carinho de quem faz parte de sua história.




