Clima de Lava-Jato provocado por Master e INSS assombra a campanha de Lula

Lula: investigações de esquemas de corrupção preocupam petistas e assessores do presidente (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Há o temor de que os esquemas sob investigação desgastem a imagem do presidente e abram espaço para um azarão

Por Daniel Pereira

veja.abril.com.br

Líderes do PT e aliados de Lula nunca pensaram que a campanha à reeleição do presidente seria fácil. Pelo contrário, sempre trabalharam com a perspectiva de uma disputa tão acirrada quanto a de 2022, quando o petista venceu Jair Bolsonaro no segundo turno por menos de dois pontos percentuais de vantagem.

A dificuldade para fazer a aprovação ao governo superar a desaprovação, o alto nível de rejeição a Lula e, mais recentemente, o crescimento nas pesquisas do opositor Flávio Bolsonaro ajudam a explicar. essa analise e — a partir dela — as preocupações dos governistas com a próxima disputa eleitoral. O quadro, que já era complicado, tornou-se ainda mais desafiador com o avanço das investigações sobre desafiador com o avanço das investigações sobre os casos do Banco Master e do esquema de desvio de valores bilionários de aposentados e pensionistas do INSS.

Em conversas reservadas, um dos mais importantes quadros da esquerda tem dito que os escândalos em curso estão criando um clima de Lava-Jato e que, se nada for feito para colocar um cabresto nas apura nas apurações, o governo ficará cada vez mais acuado. Ele alega que, mesmo que fique comprovado que o presidente não tem responsabilidade pela roubalheira e as fraudes no Master e no INSS, a tendencia a tendencia é a população culpar o governante de turno pelo que está sendo noticiado. No caso, Lula. O resultado seria a transferência de votos para adversário segurados do INSS e facilita o enriquecimento de banqueiros bem relacionados. As investigações atuais poderiam abrir espaço mais uma vez para um outsider, como ocorreu com Jair Bolsonaro em 2018. O interlocutor petista mencionou até o nome de Renan Santos, presidente do partido Missão, ex-MBL, que aparece na rabeira das pesquisas sobre a Presidência.

Lições do passado
Quando a Lava-Jato ganhou as ruas, em 2014, e tração nos anos seguintes, conselheiros da então presidente Dilma Rousseff disseram para ela não se preocupar, porque o escândalo só afetaria o Congresso, deixando-o de joelhos diante da petista. A presidente, portanto, sairia ganhando. Um tremendo erro de avaliacão.

Com a Lava-Jato em seus calcanhares, Lula, na época ex-presidente, se reuniu com lideres do Congresso para dizer que era preciso deter a operação, que estaria criminalizando a politica. Já emissários de Dilma, quando perceberam a encrenca subindo a rampa do Planalto, tentaram costurar um acordo para que ela e os parlamentares — entre eles, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha —— se salvassem, mas não deu certo. Dilma caiu, Lula e Cunha foram presos, e o resto da história é conhecida.

Diante do precedente, líderes do PT e assessores do presidente querem que ele entre em campo para conter a sangria do Master e do INSS. Os aliados dizem que autoridades dos Três Poderes estão acuadas,sem força para reagir. Caberia a Lula tomar a dianteira e tentar controlar um pouco as investigações da Polícia Federal, para impedir que todos, inocentes e culpados, sejam colocados no mesmo balaio.

Se não fizer isso, o presidente corre o risco de ser penalizado nas urnas. De ser responsabilizado pelo eleitor mesmo que não tenha se envolvido nas falcatruas. E de permitir que um azarão dispare na reta final da corrida presidencial.

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